sábado, 12 de setembro de 2009

Do you know what a poem is?



Você sabe o que é um poema? Sylvia Plath, essa linda mulher aí ao lado que se matou aos trinta anos (o que deu incríveis dores de cabeça ao seu marido, Ted Hughes, também poeta, considerado um dos grandes de língua inglesa do século 20, por outros quarenta), sabia. Por isso resolvi hoje transcrever um curto trecho de sua última obra, The Bell Jar, e convidá-los a uma reflexão. Nesse trecho ela não define propriamento o que é poesia, mas dá uma resposta brilhante àqueles que a desprezam.
Seguem abaixo o original e uma (tosca) tradução minha.
I spent a lot of time having imaginary conversations with Buddy Willard. He was a couple of years older than I was and very scientific, so he could always prove things. When I was with him I had to work to keep my head above water. These conversations I had in my mind usually repeated the beginnings of conversations I’d really had with Buddy, only they finished with me answering him back quite sharply, instead of just sitting around and saying, “I guess so.”
Now, lying on my back in bed, I imagined Buddy saying, “Do you know what a poem is, Esther?”
“No, what?” I would say.
“A piece of dust.”
Then just as he was smiling and starting to look proud, I would say, “So are the cadavers you cut up. So are the people you think you’re curing. They’re dust as dust as dust. I reckon a good poem lasts a whole lot longer than a hundred of those people put together.”
And of course Buddy wouldn’t have any answer to that, because what I said was true. People were made of nothing so much as dust, and I couldn’t see that doctoring all that dust was a bit better than writing poems people would remember and repeat to themselves when they were unhappy or sick and couldn’t sleep.

The Bell Jar, Sylvia Plath (só não me perguntem a página)
Passei um bocado de tempo tendo conversas imaginárias com Buddy Willard. Ela era alguns anos mais velho que eu e muito científico, o que lhe permitia sempre provar as coisas. Quando estava com ele tinha de me esforçar muito para manter a cabeça acima d'água. Essas conversas que eu tinha em mente geralmente repetiam inícios de conversas que eu realmente tivera com Buddy, elas só terminavam com uma resposta minha bastante áspera, em vez de somente sentar e dizer: "Acho que sim."
Agora, deitada na cama, imaginei Buddy dizer: "Você sabe o que é um poema, Esther?"
"Não, o quê?", eu diria.
"Mero pó."
Então, assim que ele começasse a rir e se sentir orgulhoso, eu diria: "Assim são os cadáveres que você corta em pedaços. Assim são as pessoas que você pensa estar curando. Eles são pó como pó como pó. Acho que um bom poema dura muito mais que uma centena dessas pessoas juntas."
E, é claro, Buddy não teria nenhuma resposta para dar, porque o que eu disse era verdade. As pessoas foram feitas de nada a não ser pó, e eu não podia conceber que curar todo aquele pó era sequer um pouco melhor que escrever poemas que as pessoas iriam lembrar e repetir para si mesmas quando estivessem infelizes ou doentes e não pudessem dormir.

2 comentários:

Dica disse...

Sei tão pouco dela, quase nada.

Raffaello Sanzio disse...

Você diz de Sylvia? Siga o link no nome dela e, se não souber ler em inglês, leia a versão em português do artigo.